Junho - Mês Mundial de conscientização da Infertilidade:
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Junho é reconhecido mundialmente como o Mês Mundial da Infertilidade, um período dedicado à conscientização sobre uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, mas que ainda é cercada por dúvidas, estigmas e desinformação.
Falar sobre infertilidade é falar sobre saúde, qualidade de vida e acolhimento. É também lembrar que ninguém precisa enfrentar essa jornada sozinho e que, graças aos avanços da medicina reprodutiva, hoje existem diversas possibilidades para quem deseja construir uma família.
O que é infertilidade?
A infertilidade é definida como a dificuldade de engravidar após um período de tentativas sem sucesso.
De acordo com as diretrizes internacionais:
Casais em que a mulher tem até 35 anos devem procurar avaliação médica após 12 meses de tentativas de gravidez.
Quando a mulher possui mais de 35 anos, essa investigação deve começar após 6 meses.
Em algumas situações, como endometriose, alterações menstruais, baixa reserva ovariana, cirurgias ginecológicas, alterações seminais ou doenças conhecidas, a investigação pode ser indicada ainda antes.
É importante compreender que infertilidade não significa impossibilidade de ter filhos. Na maioria dos casos, trata-se de uma condição que pode ser investigada e tratada.
Um problema muito mais comum do que se imagina
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 6 pessoas enfrentará infertilidade em algum momento da vida reprodutiva.
Esses números mostram que a infertilidade é uma condição frequente, que pode atingir pessoas de diferentes idades, estilos de vida e condições de saúde.
Mesmo assim, muitas pessoas convivem com sentimentos como culpa, vergonha e solidão, justamente porque o tema ainda é pouco discutido.
Quanto mais informação existe, menor é o preconceito.
A infertilidade pode acontecer tanto na mulher quanto no homem
Um dos maiores mitos sobre infertilidade é acreditar que ela está relacionada apenas à mulher.
Na realidade:
aproximadamente 40% dos casos estão relacionados ao fator feminino;
cerca de 40% ao fator masculino;
aproximadamente 20% envolvem fatores combinados ou causas ainda não identificadas.
Por isso, a investigação da fertilidade deve sempre incluir o casal.
Enquanto a mulher realiza exames hormonais, ultrassonografia e avaliação das trompas, o homem também precisa realizar sua investigação por meio da análise seminal e, quando necessário, exames complementares.
Quais são as principais causas da infertilidade feminina?
Diversos fatores podem interferir na fertilidade da mulher.
Entre os mais comuns estão:
idade materna avançada;
diminuição da reserva ovariana;
endometriose;
síndrome dos ovários policísticos (SOP);
alterações nas trompas;
miomas em situações específicas;
alterações hormonais;
doenças autoimunes;
fatores genéticos.
O avanço da idade merece atenção especial.
A mulher nasce com todos os óvulos que terá ao longo da vida e, com o passar dos anos, ocorre uma redução natural tanto da quantidade quanto da qualidade desses óvulos.
Essa queda torna-se mais significativa após os 35 anos e se acelera ainda mais depois dos 40.
E quais são as principais causas da infertilidade masculina?
A fertilidade masculina também pode sofrer alterações ao longo da vida.
Entre as principais causas estão:
varicocele;
alterações na produção dos espermatozoides;
infecções;
alterações hormonais;
fatores genéticos;
obesidade;
tabagismo;
consumo excessivo de álcool;
uso de anabolizantes;
exposição a altas temperaturas ou substâncias tóxicas.
Assim como acontece com a mulher, o homem também pode apresentar redução da qualidade reprodutiva com o envelhecimento.
Quais sinais merecem atenção?
Nem sempre a infertilidade apresenta sintomas.
Por isso, muitas pessoas descobrem a dificuldade apenas quando começam a tentar engravidar.
Mesmo assim, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação mais precoce:
Nas mulheres
ciclos menstruais irregulares;
ausência de menstruação;
dores intensas durante a menstruação;
diagnóstico de endometriose;
cirurgias ovarianas anteriores;
abortos de repetição.
Nos homens
alterações já conhecidas no espermograma;
histórico de criptorquidia;
cirurgias testiculares;
varicocele;
infecções urológicas;
uso prolongado de anabolizantes.
Como é feita a investigação da infertilidade?
O primeiro passo é uma consulta detalhada, avaliando histórico clínico, hábitos de vida, doenças prévias e exames anteriores.
A partir dessa avaliação, podem ser solicitados exames como:
Para a mulher
ultrassonografia transvaginal;
dosagens hormonais;
avaliação da reserva ovariana;
histerossalpingografia;
exames complementares quando necessários.
Para o homem
espermograma;
espermocultura em situações específicas;
avaliação hormonal;
ultrassonografia quando indicada;
exames genéticos em casos selecionados.
Cada investigação é individualizada.
Nem todos os pacientes precisam dos mesmos exames.
Existe tratamento para infertilidade?
Sim.
Hoje existem diversas possibilidades terapêuticas, dependendo da causa identificada.
Entre elas estão:
mudanças de hábitos de vida;
tratamentos medicamentosos;
indução da ovulação;
cirurgias ginecológicas ou urológicas;
inseminação intrauterina;
fertilização in vitro (FIV);
congelamento de óvulos e embriões;
preservação da fertilidade em situações específicas.
O tratamento sempre é definido de forma personalizada, considerando idade, diagnóstico, tempo de infertilidade e objetivos do casal.
A idade faz diferença?
Sim.
A idade é um dos fatores mais importantes quando falamos em fertilidade feminina.
Enquanto aos 30 anos as chances de gravidez ainda são elevadas, elas diminuem progressivamente após os 35 anos e apresentam uma queda mais acentuada depois dos 40.
Por isso, conhecer sua reserva ovariana e entender seu momento reprodutivo permite um planejamento mais consciente, mesmo que a gravidez não seja um desejo imediato.
Informação não serve para gerar medo.
Serve para ampliar possibilidades.
Cuidar da fertilidade também é cuidar da saúde
Nem toda consulta com um especialista em reprodução assistida significa que será necessário realizar uma fertilização in vitro.
Muitas vezes, a avaliação permite identificar alterações precocemente, orientar mudanças de hábitos, tratar doenças ou simplesmente tranquilizar o casal.
Quanto mais cedo acontece essa investigação, maiores costumam ser as possibilidades de tratamento.
O impacto emocional da infertilidade
Além dos aspectos físicos, a infertilidade costuma trazer importantes desafios emocionais.
É comum que casais enfrentem ansiedade, frustração, culpa, tristeza e medo durante essa jornada.
Por isso, um atendimento humanizado faz toda a diferença.
Mais do que indicar exames e tratamentos, é fundamental acolher, esclarecer dúvidas e caminhar ao lado dos pacientes em cada etapa do processo.
O Mês Mundial da Infertilidade é um convite ao diálogo
Durante muito tempo, falar sobre infertilidade foi um tabu.
Hoje sabemos que informação salva tempo, reduz sofrimento e aproxima as pessoas do tratamento adequado.
O Mês Mundial da Infertilidade existe justamente para reforçar que:
infertilidade é uma condição médica, e não um fracasso pessoal;
homens e mulheres podem apresentar alterações na fertilidade;
quanto mais cedo acontece a investigação, maiores podem ser as possibilidades de tratamento;
existem recursos modernos capazes de ajudar milhares de famílias a realizarem o sonho de ter filhos.
Conclusão
Se você está tentando engravidar há algum tempo sem sucesso, ou possui fatores de risco que podem interferir na fertilidade, não espere que o tempo seja o único responsável pelas respostas.
Buscar uma avaliação especializada é um passo importante para compreender sua saúde reprodutiva e conhecer as opções disponíveis para o seu caso.
A medicina reprodutiva evoluiu de forma extraordinária nas últimas décadas, oferecendo tratamentos cada vez mais seguros, personalizados e eficazes.
Mais do que um mês de conscientização, o Mês Mundial da Infertilidade é um lembrete de que informação, acolhimento e cuidado podem transformar dúvidas em possibilidades e aproximar muitas famílias da realização do sonho de ter um filho.




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